Sobre o processo psicoterapêutico
- BSIDE Espaço Terapêutico
- 4 de jul.
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O processo terapêutico costuma ser cercado por um imaginário popular de que o psicólogo possui uma espécie de “dom” ou capacidade de enxergar verdades ocultas sobre a vida das pessoas. Essa visão distante da realidade transforma a psicologia em um mistério, como se o terapeuta fosse um mago capaz de interpretar tudo o que o cliente diz e, ao final da sessão, entregar respostas prontas.
Achamos importante desmistificar essa figura quase que mágica: na prática, a psicoterapia é um trabalho colaborativo e fundamentado em conhecimento científico, em que terapeuta e cliente constroem juntos novas formas de compreender e responder às experiências de vida. Como lembra Calligaris em seu “Cartas a um Jovem Terapeuta”, o terapeuta não ocupa esse lugar de mago que sabe tudo, mas de quem acompanha, questiona e ajuda a ampliar possibilidades através de conhecimento técnico e direcionamento. É nesse encontro genuíno entre duas pessoas (terapeuta e cliente), no qual ambas se implicam na construção do processo (cada qual com diferentes responsabilidades, mas igualmente importantes) que a mudança é favorecida.
Essa compreensão torna a psicoterapia menos misteriosa e mais humana. Um bom exemplo disso está em “Dibs: Em Busca de Si Mesmo” (Virginia Axline), obra que mostra como a transformação não acontece porque o terapeuta “conserta” alguém ou porque oferece “palavras mágicas”, mas porque cria condições para que a própria pessoa descubra recursos, significados e formas mais autênticas de estar no mundo. No estudo de caso em questão, Dibs era uma criança vista como “problemática”, retraída e com grandes dificuldades de interação, e ao invés da terapeuta desvendar um “segredo”, ela cria condições para que Dibs desenvolva autonomia, confiança e formas mais saudáveis de se relacionar com o mundo.
Assim, a terapia se mostra menos como um espaço de respostas mágicas, e mais como espaço de investigação, experimentação e desenvolvimento. O protagonista da mudança é sempre o cliente, sendo o terapeuta aquele que caminha ao seu lado, oferecendo ferramentas, contexto e apoio para que esse percurso seja possível. O processo terapêutico costuma ser cercado por um imaginário popular de que o psicólogo possui uma espécie de “dom” ou capacidade de enxergar verdades ocultas sobre a vida das pessoas. Essa visão distante da realidade transforma a psicologia em um mistério, como se o terapeuta fosse um mago capaz de interpretar tudo o que o cliente diz e, ao final da sessão, entregar respostas prontas.



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