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Por que falar sobre a morte?

  • Foto do escritor: BSIDE Espaço Terapêutico
    BSIDE Espaço Terapêutico
  • 6 de jul.
  • 2 min de leitura

É certo que a morte entra na categoria de “temas delicados”, e, quando precisamos abordar o assunto, seja pela morte de um ente querido, doenças terminais em nós ou outrem, experiências de quase morte, envelhecimento, fins de ciclos ou quaisquer outros temas em que nos deparamos com a finitude, mergulhamos em muitos sentimentos de difícil digestão, bem como as 5 fases do luto já muito conhecidas: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Entretanto, mesmo rodeada de sensações desprazerosas, medos e tabus, evitar falar sobre a morte passa a ideia de que ela é horrível demais até para ser discutida, mesmo que seja algo natural do curso da vida.


Mas por que falar sobre a morte? Não existe uma pílula ou uma técnica que nos ajude a eliminar esses sentimentos tão desagradáveis do luto? Já lhe adianto que seria contraproducente. Encarar e vivenciar todas essas fases, tendo, é claro, uma rede de apoio de amigos, familiares, pares ou um psicólogo (por que não?) com quem você possa conversar e ser amparado diante de tamanha dor, pode fazer com que além de aprender a conviver com a temida falta, possa também gerar insights valiosos sobre como você vive sua própria vida.


Irvin D. Yalom, um psicólogo norte-americano disse que “embora a fisicalidade da morte nos destrua, a ideia da morte pode nos salvar”. Com essa frase, o autor expressa que o tema da morte e do luto, apesar de muito doloridos, podem se conectar com melhoria de vida se passarmos a olhar de modo ontológico a essas experiências limítrofes, isto é, reaprender a viver fixando nossa atenção no nosso próprio ser, descobrindo ou redescobrindo nossas verdades existenciais fundamentais, para assim viver de forma mais autêntica e mais alinhada aos nossos verdadeiros valores e propósitos.


Os livros “A Morte de Ivan Ilitch”, “Um Conto de Natal” e “Sobre a Brevidade da Vida” ilustram muito bem como experiências limítrofes podem desencadear mudanças acerca de como viver, sobre como a famosa frase “viver bem é morrer bem” funciona. Nós temos medo da morte, do fim, de encerramentos e do desaparecimento, e é justamente no destrinchar desses medos que podemos encontrar uma maneira de viver bem apesar deles.


 
 
 

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