Ansiedade
- BSIDE Espaço Terapêutico
- 6 de jul.
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Por mais desprazerosa que possa ser, a ansiedade faz parte da experiência humana. Ela é uma resposta natural do organismo diante de situações percebidas como desafiadoras, nos preparando para agir, antecipar riscos e lidar com possíveis ameaças. Em níveis adequados, ela é adaptativa e desempenha um papel importante para a sobrevivência, porém quando essa resposta passa a ser intensa, frequente ou desproporcional ao contexto, gerando sofrimento e interferindo na vida cotidiana, temos um problema. Nesses casos, a pessoa pode se ver constantemente preocupada, presa a pensamentos catastróficos, evitando situações importantes ou vivendo em um estado permanente de alerta, como se o perigo nunca cessasse.
Um aspecto importante a ser compreendido é que a ansiedade não se resume apenas à preocupação, ela envolve um conjunto de respostas cognitivas, emocionais, fisiológicas e comportamentais. Enquanto a mente produz cenários hipotéticos (“e se x acontecer?”), o corpo pode responder com taquicardia, tensão muscular, falta de ar, desconforto gastrointestinal ou dificuldade para dormir. Frequentemente, a tentativa de controlar ou eliminar essas sensações faz com que elas se intensifiquem, alimentando um ciclo de preocupação, esquiva e sofrimento. Nas abordagens contextuais de terceira onda, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), por exemplo, o foco não é eliminar completamente a ansiedade, mas desenvolver uma relação mais flexível com ela, permitindo que a pessoa continue vivendo de acordo com seus valores, mesmo na presença de emoções difíceis.
Essa experiência é retratada de maneira sensível no livro “Ansiedade: O Mal do Século”, do psiquiatra Augusto Cury. O autor apresenta a ansiedade como uma das marcas do mundo contemporâneo, mostrando como a busca incessante por produtividade, desempenho, controle e perfeição contribui para o aumento dos transtornos ansiosos. Ao longo da obra, ele descreve diferentes manifestações da ansiedade e ilustra, por meio de exemplos clínicos e situações do cotidiano, como pessoas podem viver aprisionadas pelo medo constante de errar, adoecer, fracassar ou decepcionar os outros.
Numa outra proposta, em “Diário de uma Ansiosa”, a ilustradora e escritora Beth Evans oferece um relato bastante diferente, porém igualmente valioso. Por meio de ilustrações simples, bem-humoradas e extremamente identificáveis, ela retrata pensamentos automáticos, inseguranças e situações cotidianas vividas por quem convive com a ansiedade. Em uma das passagens mais marcantes, por exemplo, uma situação social aparentemente comum desencadeia uma cascata de pensamentos sobre ter dito algo inadequado, ter sido julgada e rejeitada, levando a dias de ruminação. Esse tipo de experiência é muito frequente entre pessoas ansiosas e demonstra como o sofrimento nem sempre está na situação em si, mas na relação que a pessoa estabelece com seus próprios pensamentos.
A psicoterapia oferece um espaço seguro para compreender esses processos, identificar padrões que mantêm o sofrimento e construir formas mais saudáveis de lidar com a ansiedade. Para além de ensinar técnicas para “não sentir ansiedade”, o processo terapêutico busca ampliar a flexibilidade psicológica, favorecendo uma vida menos guiada pelo medo e mais orientada pelos próprios valores. Afinal, sentir ansiedade é parte da condição humana, mas permitir que ela determine todas as escolhas da vida não precisa ser.



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