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Depressão

  • Foto do escritor: BSIDE Espaço Terapêutico
    BSIDE Espaço Terapêutico
  • 6 de jul.
  • 2 min de leitura

“Não teria feito a menor diferença se ela tivesse me dado uma passagem para a Europa ou um cruzeiro ao redor do mundo, porque onde quer que eu estivesse (...) estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida em meu próprio ar viciado.” Nessa densa frase de “A Redoma da Vidro”, Sylvia Plath descreve sensações comumente compartilhadas em estados depressivos: isolamento, estagnação, desesperança, sufocamento, tempo arrastado e incapacidade de renovar sua própria vida. Andrew Solomon, em testemunho íntimo em seu “O Demônio do Meio-Dia” fala sobre uma sensação de esvaziamento radical, em que até as tarefas mais simples parecem ser impossíveis, como se uma força invasiva e paralisante corroesse sua identidade.


Ao longo dos séculos, esse estado depressivo persistente já foi visto de diversas formas: desequilíbrio dos humores, pecado, genialidade criativa e doença clínica. A interpretação acerca do estado depende da época e da cultura em que está sendo analisado, porém é fato que a realidade de seu sofrimento atravessa épocas e culturas. Atualmente, dentro de uma perspectiva ocidental, entendemos que não existe uma única causa para a depressão, mas sim uma multifatorialidade biopsicossocial, em que a predisposição genética combinada com o modo do indivíduo lidar com a vida, com sua história pessoal e com a sociedade em que este é inserido seriam “as causas” para desenvolver ou não a depressão.  


Da mesma forma que não existe uma “receita única” para se “adquirir” depressão, igualmente não existe um único caminho para sair dela. Entretanto, já é bem popular a ideia de que a combinação de mudança de estilo de vida com psicoterapia e medicamentos (a depender de avaliação psiquiátrica) contribui de forma fundamental para o bem-estar. Imagine o seguinte cenário: uma pessoa em alto mar, sem vislumbre de onde está a costa, se afogando. Nessa situação, o medicamento seria um colete salva-vidas: te impede de afundar, mas não te tira do lugar, ainda é preciso nadar até a costa. Aqui, a psicoterapia te fornece uma direção para a qual nadar e pode até facilitar com um pé de pato, mas o nadar ainda depende de você: sua rotina, suas relações, sua alimentação, suas atividades, seu propósito e seu sentido de vida. 


Nessa direção, a psicoterapia fornece esse espaço de reconstrução de sentido, em que, para cada indivíduo, encontraremos em conjunto uma forma única que vise a recuperação desse viver, além de desenvolvermos mecanismos de enfrentamento e um novo entendimento singular sobre a vida, facilitando o seu “nadar até a costa”. Atualmente, a depressão é considerada uma das doenças mais incapacitantes segundo a OMS, visto que pode interferir em todos os domínios da vida do indivíduo: seu autocuidado, julgamento, humor, sono, alimentação, produtividade e suas relações interpessoais e profissionais. Se você estiver em sofrimento, busque ajuda!


 
 
 

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